26 de maio de 2009

Aprendiz de sonhador: Aprendiz de professor



Tem-se observado nas últimas décadas mudanças significativas no que se refere ao respeito e qualidade de vida da pessoa com deficiência. Projetos de inclusão tem fomentado discussões em torno da questão. Muitas reflexões são possibilitadas até mesmo por filmes, que nos leva a “vivenciar” realidades diversas.
Em “Aprendiz de sonhador”, com direção de Lasse Hallstön, conhecemos Gilbert, um rapaz que após a morte do pai assume o papel de chefe e provedor da família.família esta, que como qualquer outra, é formada por pessoa bem diferentes: a mãe (uma viúva extremamente gorda), duas filhas (uma adolescente rebelde e a outra, uma cozinheira desempregada) e três irmãos (um que não aparece no filme, e vive distante da família; Gilbert, que sustenta a casa, cuida de Arnie e tem um caso com uma mulher casada; e Arnie, um jovem com deficiência intelectual). Através de Gilbert conhecemos Arnie, o caçula da família, que apesar dos dezoito anos é tratado como criança, fator que é reforçado pela deficiência que possui.
O filme nos possibilita ver o tratamento que uma pessoa com deficiência recebe na família e na sociedade. De certa forma, faz perceber que a família comete ao tentar proteger a pessoa deficiente. Mas também demonstra com Becky, como agir para dar uma melhor qualidade de vida, ou independência. Pegando carona no filme é possível discutir educação para pessoas com deficiência, já que o deficiente é alvo de processo de educação inclusiva, mas que ao mesmo tempo exclui, pois não se consegue inclusão com diferenciação no tratamento escolar.
Muito se tem falado em educação especial, professores vivem aterrorizados, com medo de ter que receber um aluno com deficiência em suas salas, a grande maioria diz que não se sentem preparados ou capacitados para tal função. Na realidade, esse medo é fruto de um longo processo de segregação a impossibilitações a que foram impostos os deficientes, ou seja, estão habituados a verem limitadas as funções destes na sociedade, o que reflete na educação formal um pessimismo estrondoso, já que os professores estão acostumados a preparar aulas para alunos “enformados”, pessoas com a “mesma” capacidade intelectual, social, física, econômica, coma mesma religião, faixa etária, raça, etc., e como o aluno com algum tipo de deficiência foge a esse “padrão”, se torna mais trabalhoso educá-lo.
Como diz Elizabeth Tuner, “a sociedade não está preparada para aceitar as diferenças”. Isso foi percebido no filme, pois a maioria das pessoas, viam tanto Arnie quanto sua mãe como “aberrações”, pessoas que deveriam ficar reclusas para não dar trabalho a ninguém, nem expor os parentes ao ridículo. Mas com a ajuda da educação especial, algumas barreiras podem ser vencidas, desde a aquisição de autonomia e conhecimento até um menor constrangimento social.
Vale salientar que o deficiente precisa de autonomia e independência para realizar as atividades, bem como de alguém que conheça suas possibilidades e que o leve a vencer cada dia seus limites, ou seja, se o professor está ciente que o alunos sabe escrever, não pode em nenhum momento aceitar que ele faça garatujas, é necessário levá-lo a fazer sempre o melhor. No filme, Gilbert representa o comodismo e a limitação na educação, já Becky, é a inovação que ajuda o “outro” a vencer seus próprios limites, a superar barreiras, a enfrentar o novo e o diferente com naturalidade. Isso pode ser percebido quando sentados no campo para verem o pôr-do-sol, Becky começa a falar sobre a mudança – de casa e de vida. Falam ainda sobre a transitoriedade da beleza, da ilimitação do céu ou das pessoas? – e com esse dialogo dão uma lição aos nossos “pré-conceitos”.
Sabe-se, no entanto, que a deficiência não impede a aquisição de conhecimento, o que conta é o esforço de cada pessoa. Assim sendo, o professor deve como primeiro passo reconhecer que todos os seus alunos são diferentes, e que é necessário trabalhar respeitando essas diferenças e necessidades, com isso, o professor retira todos os alunos da “forma”, e elabora um trabalho inclusivo e significativo.

Deixei de ser a aluna deficiente para me tornar uma professora eficiente...atualmente desempregada!!!..rsrsrs

AGUARDO COMENTÁRIOS...

3 comentários:

manuel afonso disse...

Todos somos iguais enquanto seres humanos. Não pode haver distinção de tratamento, e todos temos o imperativo moral de tudo fazer para fornecer as condições que permitam ou favoreçam essa igualdade. Um texto muito lindo, só é pena a frase final, a vermelho, que magoa, e é pena não se saber aproveitar quem tanto dá e quer continuar a dar. Dias melhores virão tenha fé.

Sandro M. Gomes disse...

Admiro a tua coragem! És um exemplo a seguir por todas as pessoas!

E citando Mário Quintana :"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino."

Beijo*

JAU disse...

Paula,
É triste saber que uma pessoa da sua qualidade, uma profissional do teu gabarito não esteja doando um pouco desse conhecimento que você construiu.
Diga-me em pretende atuar, quer trabalhar aqui em Guanambi? Sempre temos notícia de alguma vaga , mas nunca indiquei ninguém, mas você.... Indicaria de olhos fechados!

FELICIDADES, COLEGA, AMIGA SABIDA!