16 de fevereiro de 2012

Poucas cinzas...muita arte

“Terra seca,
terra quieta
 de noites imensas.
(Vento no olivial
vento na serra.)”

 É com este trecho do poema de Federico Garcia Lorca que o filme Poucas cinzas começa e termina. O filme conta um pouco da vida e da relação de três artistas: Federico Garcia Lorca (poeta e dramaturgo), Salvador Dalí (pintor) e Luis Buñuel (cineasta).
Quando Dalí adentra a universidade Garcia Lorca e Buñuel já fazem parte da elite estudantil e cultural, mas isso não impediu que se conhecessem e tivessem o trabalho admirado de forma recíproca. A amizade entre os três ganha nuances diferentes no decorrer do filme. Mas o foco recai sobre Garcia Lorca e Dalí para os quais a amizade é apenas um dos nomes que envolvem seu relacionamento já que Lorca, se apaixona por Dalí, ou melhor, a impressão é que é uma paixão mútua, porém Dalí não consegue de desvencilhar do sistema de ideias morais que regiam a sociedade. Dalí se afasta e posteriormente conhece Gala Éluard com quem se casa.
A história se passa na Espanha, depois da 1ª Guerra. Os três jovens estudantes, artistas e sonhadores se colocam contra o regime político vigente, especialmente Lorca, que deixa claro em sua obra a posição ideológica e política, que aliado a sua opção sexual o faz vitima fácil do regime político bem como dos conservadores da época.
Já Dalí, no alto do seu egocentrismo passa a viver só para si, deixando a política de lado. Sua obra reflete sua luta interior em busca de uma imagem definida de si mesmo. À medida que sua obra ganhava reconhecimento, seu ego inflava e seu espírito se afligia.
 Mas independente da posição ideológica que assumiram não há como negar quão grandes e magistrais foram estes artistas que nos legaram uma obra riquíssima. São três artistas, três opções artísticas que caminharam separadas, mas que em momentos distintos se cruzaram e configuraram matéria para o trabalho que realizaram. São três modalidades artísticas que se distanciam e se tocam a partir da relação de amizade, amor, ódio e aversão que unia Lorca, Dalí e Buñuel. 
È preciso dizer que encontrei o filme por acaso. E logo no primeiro momento veio o susto: Robert Pattinson, o vampiro “gato” e bonzinho da saga Crepúsculo aparece na pele de Salvador Dalí em uma interpretação bem mais interessante do que a que lhe deu fama como o vampiro Edward Cullen. Ele vem com um visual que não chamaria tanto a atenção das jovens e adolescentes apaixonadas. Talvez não agrade tanto, mais recomendo que assistam: pelo Pattinson que as conduzirá ao mundo de Dalí.
O filme é um livro de possibilidades que se abre. Nele somos conduzidos por um momento efervescente nas artes, na história e nos rumos sociais. Mas não pensem que irão encontrar tudo mastigado, pois Poucas Cinzas é apenas uma introdução. O que se descortinará depois é conosco. 


“Poesia é amargura,
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.

Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.”

Federico García Lorca


"Lembre-me quando você estiver na praia
e quando pintar coisas brilhantes, e poucas cinzas
Oh minhas poucas cinzas ! Coloque o meu nome no quadro
Pra que meu nome sirva pra algo no mundo ... " (G. Lorca F. para S. Dali)

2 comentários:

Casal 20 disse...

Querida Paula, obrigado pela visita lé em casa. Volte sempre.

Quanto ao filme, fiquei muito interessado em vê-lo. É um encontro de dois grandes gênios artísticos.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Edvaldo dos Reis disse...

Este filme é muito bom. Comprei o DVD ao acaso e me surpreendi. Se puder, pesquise um quadro do Salvador Dali chamado "A Persistência da Memória", é lindo.
Parabéns pelo blog.
Edvaldo dos Reis.