30 de julho de 2010

Convite: LANÇAMENTO DO LIVRO O CROMATISMO CEZANNEANO, DE JOSÉ MARIA DIAS DA CRUZ.

LANÇAMENTO DO LIVRO O CROMATISMO CEZANNEANO, DE JOSÉ MARIA DIAS DA CRUZ.
Dia 30/07/2010

MUSEU HISTÓRICO DE SANTA CATARINA
Palácio Cruz e Sousa - Praça XV de Novembro, 227 - Centro - 88010-400 - Florianópolis - SC
Fone:(48)3028-8091


18 de julho de 2010

Minha cidade...

Moro numa cidade pequena, daquelas em que velhos costumes, apesar dos novos tempos, ainda existem. Claro, que cada vez menos presente na vida das novas gerações. No entanto, reavivada por alguns amantes da terra e de seu legado.
Aqui ainda compramos fiado para pagar no mês seguinte, e a grande maioria dos comerciantes anotam numa velho caderninho as dividas dos clientes. Isso se chama confiança!
Aqui ainda ainda sentamos na calçada para conversar com o vizinho. Debatemos política, trocamos dicas, falamos da nossa vida e da vida alheia Pedimos e emprestamos algo. Isso se chama boa vizinhança!
Aqui as crianças ainda brincam soltas na rua. E podem ir sozinhas às casas dos amiguinhos para brincar, pois não há trânsito e nem risco de sequestro. Isso se chama de infância!
Aqui temos quintal de terra com plantas frutíferas. Temos o leiteiro na porta que vende para receber no final do mês. Temos temos procissão na festa da padroeira com crianças vestidas de anjo. Temos casais que namoram tranquilos no banco da praça sem medo da criminalidade. Temos café feito em coador de pano, torrado e moído em casa. Temos casas de farinha, onde a mandioca é descascada, moída e em família se transforma em farinha e tapioca. Temos carro de boi...benzedeira...costureira...bordadeira...vendedor de pamonha e muito mais.
Todavia, não pensem que vivemos desconectado da tal "modernidade". Aqui temos drogas, que vem de fora para virar a cabeça dos jovens. Temos roubos, gerado pela necessidade de acompanhar os lançamentos da moda: celular, tênis, roupa, etc.(Casos nem tão comuns que causam burburinho em toda a cidade). Temos gente que se tranca em casa vendo TV, e depois aplica em sua vida tudo aquilo que tal personagem faz. Temos Internet e celular por que, se antes, era possível viver sem, agora é impossível. Como se percebe, estamos "antenados". Isso se chama "globalização"!
Mas aqui há algo bem triste: Somos uma "cidadezinha qualquer". Mas não é qualquer cidadezinha que extrai a mesma quantidade de carvão vegetal que nós. Os rios raramente correm água. O calor cada vez mais nos sufoca. A chuva a cada ano diminui o fluxo. os animais sem casa, sem alimento, sem água...vão fugindo, morrendo, acabando...
Olhando tudo isso, fico com saudade do tempo dos meus pais. Tempos que nem vivi, mas que deixaram marcas em mim. Marcas tão profundas que vivo procurando na arte e nas histórias um pouco daquilo. Dia desses, recolhi estes retalhos de poesia e de música que agora se somam á confecção de uma colcha.



Cidadezinha qualquer


Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.

- Carlos Drummond de Andrade -




-Godofredo Guedes
-


Simplicidade


Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia
Mais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorriso
Busquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegria
Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia

- Pato Fu -

11 de julho de 2010

Marques Rebelo: um novo encontro ou reencontro

Bahia – 2010

Querido Marques Rebelo,

Como anda este seu-nosso Rio de Janeiro? De 1930 para cá modificou muito, não é?

Sim, quero dizer que tenho em mãos dois dos seus livros: “A guerra está em nós” e “A estrela sobe”, ambos reeditado pela José Olympio editora. Excelente idéia essa reeditar toda a sua obra. Tem muita gente que precisa te descobrir, ou até redescobrir seu trabalho.

Posso dizer que você me era totalmente desconhecido, ates disso, não fosse o ano de 2008, quando seu nome passa por mim. Eu dava um curso de literatura e estudava o livro “História concisa da Literatura Brasileira”, de Alfredo Bosi, conheci um pouco de você e sua obra. Claro, de forma concisa! Mas julgo que até aí, só seu nome conhecia. No entanto, em 2009, você quis se apresentar a mim, e pelos caminhos da vida talvez, o seu filho, José Maria Dias da Cruz me encontrou num site de relacionamentos, e agora conversamos através de e-mails e MSN. Falamos sobre algumas coisas e entre elas, você. Dele ganhei os dois livros citados. Ele fala de você com muito entusiasmo e amor, vejo que é seu maior admirador.

Marques, percebi que você é um “cara” genial, mas anda um pouco engavetado. O José me disse que isso é obra de um advogado nada honesto que impediu a divulgação das tuas obras, além de usurpar dos seus filhos o que você os havia deixado por direito. É lamentável como os seres humanos conseguem ser mesquinhos e desprezíveis em alguns momentos. Mas bola pra frente, que a José Olympio e o José estão revertendo a situação.

Porém, minha intenção ao lhe enviar esta carta, é simplesmente falar do meu encantamento ao ler seus livros. Em “A guerra está em nós”(lançado em 1968 e reeditado em 2009), viajei pelo enredo, percorrendo o período ditatorial. Gostei muito de a escrita dar-se como em um diário, sendo narrado durante os anos de 1942, 1943 e 1944, numa sucessão de dias. Sempre gostei muito de tudo que se refere a este período. Então, imagine como saboreei descobrir a cada página o cotidiano daquela época. Vi que você brinca com o real dentro da ficção, e isso me deixou maravilhada. Ah, o Rio de Janeiro em meio à ditadura, o cerceamento da liberdade e a guerra mundial, ainda tinha ânimo para fazer o seu carnaval. Política, literatura, música e o dia-a-dia, elementos da memória brasileira, da sua memória, Marques, que nos permite também voltar no tempo, imaginar e também nos encantar e indignar com o momento histórico, com os tipos cariocas, brasileiros que vieram antes de nós. E antes, apenas vistos em filmes, livros de história, e ali em tuas páginas, eram reais, graças ao poder do imaginário.

Mas gostei mesmo foi de “A estrela sobe” (lançado em 1939 e reeditado em 2009). Talvez seja pelo fato de, junto do teu Rio de Janeiro, apresentar os dilemas vividos por uma mulher na década de 30. Sobre a mulher e sua luta neste período, Celi Pinto (2003, p. 33) alerta, “temos de ter em mente que essas manifestações ocupavam as franjas da sociedade. Ou seja, não se constituíam nos assuntos que pautavam as preocupações das elites políticas e culturais da época”. Mas vejo que isso não se aplica a você, pois trouxe uma mulher cheia de sonhos, que fez de tudo para conseguir a independência financeira, não seguir os passos da mãe – mãe, esposa e dona de casa. Você traz mulheres que trabalham (lavam, passam, cozinham, donas de hospedaria, cantoras de rádio, vendedoras, prostituas, operárias, etc.), que repele o amor verdadeiro e se entrega a “vida fácil” para possuir a liberdade. mas noto que você não deixa esta mulher “ao Deus dará”, solta, desamparada. Você a impede de ser apedrejada pelos leitores quando apresenta suas inquietações, seus dilemas, seus sonhos e a forma com que é/são enganada em sua inocência por falsos “amigos”. Lenilza, esta mulher que vive no mundo das cantoras de rádio me encantou, mas não é para menos, vistes o que dela falou Temístocles Linhares, pois bem, reproduzo aqui: “é figura incomparável e sua importância a coloca em primeiro plano no romance brasileiro de todos os tempo”. Marques, fiquei intrigada com uma coisa: Lenilza e Macabeia... “A estrela sobe” e “A hora da estrela” ... Marques Rebelo e Clarice Lispector...É possível haver aí alguma relação? Sei lá o motivo, mas pensei nestas duas personagens.

Acho que já estou ficando prolixa. Quando pego a caneta...Ou melhor, o teclado...

Marques, saiba que foi um prazer conhecê-lo.Até mais...



Fique bem...Abraços

Paula

Sobre o autor



Marques Rebelo (nome literário de Eddy Dias da Cruz), jornalista, contista, cronista, novelista e romancista, nasceu no Rio de Janeiro, em 6 de janeiro de 1907, e faleceu também nessa cidade em 26 de agosto de 1973.

Segundo ocupante da cadeira 9, que tem por patrono Gonçalves de Magalhães. Eleito a 10 de dezembro de 1964, na sucessão de Carlos Magalhães de Azeredo, só veio a tomar posse em 28 de maio de1965, recebido por Aurélio Buarque de Holanda.

Sobre ele: site da Academia Brasileira de Letras: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=142

Sobre ele artigo: "O Rio é o mundo:Marques Rebelo no seu centenáriodo" prof. Dr. Mário Luiz Frungillo: http://www.forumrio.uerj.br/documentos/revista_20-21/Cap-9-Mario_Frungillo.pdf

“A estrela sobe” virou filme em 1974, dirigido por Bruno Barreto e com roteiro baseado no livro homônimo de Marques Rebelo. Tendo Betty Faria no papel de Lenilza.

Obras

Romances

  • Marafa (1935)
  • A estrela sobe (1939)
  • O espelho partido
    • O trapicheiro (1959)
    • A mudança (1962)
    • A guerra está em nós (1968)

Novelas

  • O simples coronel Madureira (1967)

Livros de contos

  • Oscarina (1931)
  • Três caminhos (1933)
  • Stela me abriu a porta (1942)

Contos avulsos

  • Conto à la mode
  • Acudiram três cavaleiros
  • O bilhete (1966)

Teatro

  • Rua Alegre, 12 (1940)

Crônicas

  • Suíte nº 1 (1944)
  • Cenas da vida brasileira (1951)
  • Conversa do dia (1951, 1953, 1954)
  • Cortina de ferro (1956)
  • Correio europeu (1959)

Biografias

  • Vida e obra de Manuel Antônio de Almeida (1943)