2 de março de 2012

Ausência

há dias em que a alegria
nos abandona
não adianta,
até respirar fica difícil.
 Então, apenas o silêncio fala
Fala forte
e cala
me cala

19 de fevereiro de 2012

Antônio Torres encantando o sertão


Encantamento. Este é o sentimento que ganhou pouso em todos aqueles que ouviram e/ou trocaram algumas palavras com o escritor Antonio Torres  no dia 8/2/2012 no auditório da UNEB, Campus VI na cidade de Caetité-BA.
Antônio Torres mais uma vez saiu de “sua” terra, o Rio de Janeiro percorrendo o caminho de volta para a Bahia, não mais para o Junco – atual Sátiro Dias e sua cidade natal –  mas para outros recantos do sertão: Caetité, mais conhecida como a “princesinha do sertão”.
O intuito da noite foi a aula inaugural do curso de pós-graduação daquele campus. O que tivemos ali foi além de uma palestra com pressupostos teóricos,  foi uma conversa gostosa, cheia de causos, poesia, um punhado de saberes de um velho sertanejo, e um pouco da sua experiência enquanto leitor. Ali despojou-se da capa de escritor e  como todo sertanejo buscou na memória suas vivências – literárias e pessoais – e passou adiante. Pena ter sido a noite tão curta. Ficaríamos ali longo tempo ouvindo aquele sertanejo.
 Apesar de seu livro mais conhecido abordar uma temática regionalista, ele escreve sobre o campo e a cidade com a mesma desenvoltura e brilhantismo, tanto que ganhou pelo conjunto da obra o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras. Creiam-me amigos, vale a pena ler e conhecer o trabalho deste adorável escritor.
Para esse encontro levei na bagagem de ida um exemplar de Essa Terra, seu romance mais conhecido e com maior número de traduções  para se assinado. Na bagagem de volta além de Menino, eu conto (presentinho do amigo Clédson)e Pelo fundo da agulha, todos assinados, trouxe um imenso carinho e admiração por aquele simpático e alegre “escrevedor” das coisas da gente.
Segue abaixo algumas fotos do Evento:







Consta na biblioteca autoral de Antônio Torres:

Um cão uivando para a lua - 1972
Os homens dos pés redondos - 1973
Essa terra - 1976
Carta ao bispo - 1979
Adeus, velho - 1981
Balada da infância perdida - 1986
Um táxi para Viena d’Áustria - 1991
O centro das nossas desatenções - 1996
O cachorro e o lobo - 1997
O circo no Brasil - 1998
Meninos, eu conto - 1999
Meu querido canibal ¾ 2000
Essa Terra (edição comemorativa de 25 anos) - 2001

O Nobre Sequestrador -  2003
Pelo Fundo da Agulha - 2006
Minu, o gato azul - 2007 (história para crianças)
Sobre pessoas - 2007 (crônicas, perfis e memórias)



Para saber mais sobre o autor: http://www.antoniotorres.com.br/vida&obra.htm

16 de fevereiro de 2012

Poucas cinzas...muita arte

“Terra seca,
terra quieta
 de noites imensas.
(Vento no olivial
vento na serra.)”

 É com este trecho do poema de Federico Garcia Lorca que o filme Poucas cinzas começa e termina. O filme conta um pouco da vida e da relação de três artistas: Federico Garcia Lorca (poeta e dramaturgo), Salvador Dalí (pintor) e Luis Buñuel (cineasta).
Quando Dalí adentra a universidade Garcia Lorca e Buñuel já fazem parte da elite estudantil e cultural, mas isso não impediu que se conhecessem e tivessem o trabalho admirado de forma recíproca. A amizade entre os três ganha nuances diferentes no decorrer do filme. Mas o foco recai sobre Garcia Lorca e Dalí para os quais a amizade é apenas um dos nomes que envolvem seu relacionamento já que Lorca, se apaixona por Dalí, ou melhor, a impressão é que é uma paixão mútua, porém Dalí não consegue de desvencilhar do sistema de ideias morais que regiam a sociedade. Dalí se afasta e posteriormente conhece Gala Éluard com quem se casa.
A história se passa na Espanha, depois da 1ª Guerra. Os três jovens estudantes, artistas e sonhadores se colocam contra o regime político vigente, especialmente Lorca, que deixa claro em sua obra a posição ideológica e política, que aliado a sua opção sexual o faz vitima fácil do regime político bem como dos conservadores da época.
Já Dalí, no alto do seu egocentrismo passa a viver só para si, deixando a política de lado. Sua obra reflete sua luta interior em busca de uma imagem definida de si mesmo. À medida que sua obra ganhava reconhecimento, seu ego inflava e seu espírito se afligia.
 Mas independente da posição ideológica que assumiram não há como negar quão grandes e magistrais foram estes artistas que nos legaram uma obra riquíssima. São três artistas, três opções artísticas que caminharam separadas, mas que em momentos distintos se cruzaram e configuraram matéria para o trabalho que realizaram. São três modalidades artísticas que se distanciam e se tocam a partir da relação de amizade, amor, ódio e aversão que unia Lorca, Dalí e Buñuel. 
È preciso dizer que encontrei o filme por acaso. E logo no primeiro momento veio o susto: Robert Pattinson, o vampiro “gato” e bonzinho da saga Crepúsculo aparece na pele de Salvador Dalí em uma interpretação bem mais interessante do que a que lhe deu fama como o vampiro Edward Cullen. Ele vem com um visual que não chamaria tanto a atenção das jovens e adolescentes apaixonadas. Talvez não agrade tanto, mais recomendo que assistam: pelo Pattinson que as conduzirá ao mundo de Dalí.
O filme é um livro de possibilidades que se abre. Nele somos conduzidos por um momento efervescente nas artes, na história e nos rumos sociais. Mas não pensem que irão encontrar tudo mastigado, pois Poucas Cinzas é apenas uma introdução. O que se descortinará depois é conosco. 


“Poesia é amargura,
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.

Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.”

Federico García Lorca


"Lembre-me quando você estiver na praia
e quando pintar coisas brilhantes, e poucas cinzas
Oh minhas poucas cinzas ! Coloque o meu nome no quadro
Pra que meu nome sirva pra algo no mundo ... " (G. Lorca F. para S. Dali)